De ícone sexual a defensora dos direitos humanos, Jane Birkin conta, em passagem pelo Brasil, sobre seu amor proibido pelo café e seu empenho em melhorar a condição humana por meio da arte
TEXTO Veronica Deviá FOTOGRAFIA Rafael Cañas
Anos 60. Londres. Auge do movimento da contracultura. O diretor italiano Michelangelo Antonioni choca o mundo com o que seria o primeiro nu frontal da história do cinema no seu mítico filme Depois Daquele Beijo (Blow-up, 1966), introduzindo na cena cultural mais efervescente daquele período a então apenas garota Jane Birkin.
Num primeiro momento a jovem inglesa surpreende a todos não só pela audácia da cena mas também pela hipnotizante beleza: impossível não suspirar frente a sua grande boca carnuda, olhos azuis e aquela clássica e elegante magreza própria dos sixties.
Não demorou muito para que a bela fosse chamada para um novo papel, desta vez em Paris, ao lado do poeta e compositor Serge Gainsbourg. Ele, 18 anos mais velho, então num relacionamento com a atriz Brigitte Bardot, apaixona-se, dando início a um dos romances mais célebres da França e do mundo.
Os tempos eram de contestação e quebra dos cânones dos "bons costumes" burgueses. Neste quesito Birkin não foi superada por ninguém quando em 1969 gravou a canção Je t´aime... Moi non Plus ao lado de Gainsbourg, causando absoluto furor nas rádios de toda a Europa. Apesar da letra de amor, o público definitivamente não estava preparado para os gemidos e sussurros sensuais que permeiam toda a música, levando-a a ser banida de diversos países como Itália, Espanha e Reino Unido.
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