O TEMPO É HOJE
O objetivo de tantos detalhes, por mais que se aponte o contrário, é simples: apreciar a beleza que existe nas coisas corriqueiras. De certa forma, o belo da simplicidade se perdeu em algum momento da história, na pressa do tempo, na cegueira material, em nós mesmos. No século XVI, quando Sen Rikyu, um dos principais mestres do desenvolvimento da chanoyu, indicou condutas para a celebração do chá, sua intenção era menos a exaltação de um produto e mais a compreensão de si mesmo.
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Um dos alunos da professora Bertha, o aplicado Leonardo Boiko, não é mestre, mas se expressa com a sabedoria e a experiência que quatro anos de prática lhe ofertaram. Sobre a finalidade do estudo da cerimônia nos seus dias ele vê o sentido utilitário. "Eu sinto que a gente vive muito longe do dia. Você sonha muito com o futuro e idealiza em excesso o passado. Invariavelmente, quando você chega ao futuro, descobre que ele não era tão diferente e bom assim. É sempre quando eu conseguir um emprego, quando eu achar minha namorada, quando eu ficar rico... Esse tipo de filosofia, como a chanoyu, é como se fosse um estalo que te faz estar atento e acordado para o que está acontecendo agora. Chá para mim é uma coisa que deixa a minha vida boa agora e não daqui a cinco anos. A coisa toda da cerimônia é ter um lugar em que você tem que prestar atenção ao máximo em como constrói a casa, como trata as pessoas, como erra, o que diz, o que veste, tudo detalhado para ter harmonia, respeito, pureza e tranquilidade (wa, kei, sei, jaku)."
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PARA SABER MAIS
O Livro do Chá, por Kakuzo Okakura - Editora Estação Liberdade, 144 págs.
Centro de Chado Urasenke do Brasil - Rua São Joaquim, 381, 4° andar, sala 44, Liberdade - São Paulo (SP)
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