O objetivo de tantos detalhes, por mais que se aponte o contrário, é simples: apreciar a beleza que existe nas coisas corriqueiras. De certa forma, o belo da simplicidade se perdeu em algum momento da história, na pressa do tempo, na cegueira material, em nós mesmos.
No Ocidente, os detalhes se resumem e tudo vira cerimônia do chá. Para os precursores do momento, no entanto, cada encontro tem um sentido diferente. O evento pode ser chamado de chado (o caminho do chá), chanoyu (água quente para o chá, termo preferido pelos japoneses pelo conceito menos rebuscado), chakai (encontro para chá, usado quando se convida alguém informalmente para tomar a bebida) e chaji (cerimônia completa). Nas duas últimas definições são modos distintos que dependem da ocasião. O chakai é mais simples e nele se oferecem doces típicos e o usucha, um tipo de preparo do chá de sabor mais suave. Já o chaji requer formalidade e algumas etapas. Os convivas aguardam em um jardim anterior à sala do chá e após a espera são servidos de uma refeição da culinária kaiseki, comida leve e tradicional. A seguir, um doce anuncia a chegada da cerimônia de arranjo do carvão que alimenta as chamas do fogareiro e o preparo do chá fraco, o usucha. Por fim, um último rito se aproxima. É hora da cerimônia do chá forte, o koicha. O anfitrião se despede dos convidados e os acompanha até o portão, esperando a virada da esquina. O chaji pode levar horas e atravessar a manhã.
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