Aos 7 anos ele brincava nos cafezais da família e não pensava sequer em trabalhar com o produto. Tentou outros caminhos, cursou Direito por três anos, mas o café estava no sangue. Hoje, Paulo Cesar Junqueira Silva Júnior compõe a nova geração de provadores brasileiros. Há quase uma década na Cooperativa Regional dos Cafeicultores do Vale do Rio Verde, a Cocarive, ele acompanha o crescimento dos cafés especiais no Brasil.
Dedicado, venceu a primeira edição do Cup Tasters brasileiro e como melhor provador nacional representou o País na competição internacional. Fomos até o Sul mineiro, na pacata cidade de Carmo de Minas, conhecer o dia a dia deste jovem profissional.
TEXTO Mariana Proença FOTOGRAFIA Guilherme Gomes
O que vem mudando neste mercado?
Entrei na Cocarive praticamente quando a cooperativa começou a trabalhar com cafés especiais. Até então a cooperativa só produzia commodity. De lá pra cá vem se investindo muito em qualidade aqui. Conseguimos terminar nosso armazém no ano passado para receber esses cafés dos produtores. A nossa demanda vem crescendo e este é o nosso principal foco. Muitos produtores herdaram a terra, então é um trabalho de quebrar o paradigma e a tradição e mostrar que o café especial traz benefício e maior preço. É um processo lento, que aos poucos está crescendo.
Como é sua rotina?
Provamos todos os cafés que entram na cooperativa. Na parte da manhã separamos os grãos e fazemos a liga, como se fosse um blend cru. Na parte da tarde, prova, prova, prova. Além da BSCA e da illy, temos outros compradores: Europa, Japão, Estados Unidos...
Como começou?
Aos 18 anos entrei na Cocarive. Fiz três anos de Direito e tranquei a matrícula. Não queria advogar, minha paixão estava no café. E aqui estou agarrado há nove anos já.
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