Para ele teria sido muito difícil ter de escolher uma
profissão. "A literatura ensina ao médico a ver o doente por sua dimensão
humana, coisa muito necessária numa época em que a medicina se torna cada vez
mais tecnológica, tendência da qual os pacientes se ressentem."
TEXTO Diego Muniz FOTOGRAFIA
Bruno Fernandes
O gaúcho Moacyr Scliar, 72 anos, é um dos escritores mais respeitados da
literatura contemporânea. Membro da Academia Brasileira de Letras e com mais de
70 obras lançadas, tem importantes prêmios no currículo, como o Jabuti, recebido
em 2000, com o livro A Mulher que Escreveu a Bíblia. Mas o que talvez nem todos
saibam é que, além de escrever, Scliar dedicou-se intensamente a outra área, a
medicina. Formado em 1962, exerceu a profissão voltado para a saúde pública,
como médico sanitarista e professor.
No mesmo ano em que seu primeiro livro foi publicado, Histórias de um Médico
em Formação, Scliar recebeu o diploma da faculdade de medicina. Aliás, o
encontro dessas duas profissões aconteceu naquela época. A obra é uma coletânea
dos contos escritos para o jornal do centro acadêmico, narrando a vivência do
estudante com as novidades da profissão. "O contato com a doença, com o
sofrimento e a morte é uma experiência difícil mas muito reveladora, equivale a
um mergulho no sentido mesmo da existência."
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>