Fabrice Le Nud
Dreux, 1963
Rio de Janeiro,1989 |
Emmanuel Bassoleil
Auxonne, 1961
São Paulo, 1987 |
Laurent Suaudeau
Cholet, 1957
Rio de Janeiro, 1979 |
Mas ao chegar aqui, não encontraram o padrão a que estavam habituados e tiveram que ensinar o bê-á-bá aos brasileiros. Foi a vinda desse universo de chefs europeus que impôs um novo parâmetro de referência à gastronomia no Brasil e, consequentemente, à demanda por bons profissionais. Laurent encontrou aí sua vocação e, hoje, dedica-se somente à pedagogia, na escola que construiu para aperfeiçoar os conhecimentos de chefs profissionais e amadores.
Emmanuel, juntamente com Laurent e outros chefs estrangeiros, fundou, em meados da década de 1990, a Associação Brasileira da Alta Gastronomia (Abaga), visando à promoção da profissão de cozinheiro e sua qualificação profissional. A partir daí, a carreira, ainda incipiente, ganhou status e charme, conquistando o interesse de muitos jovens brasileiros.
Interesse que nem sempre é visto com bons olhos. Hoje, novos profissionais pululam no mercado, mas logo que saem da faculdade querem batizar um restaurante com seu nome, como empresários bem-sucedidos. Segundo Emmanuel, "foi uma overdose de glamour; antes não tínhamos ninguém e agora aparecem 300 na porta do restaurante". Infelizmente, a motivação da nova geração parece ser mais a renda promissora do que a paixão, relegada a segundo plano. Mas Marc logo previne: "Só fica na carreira quem ama a profissão".
Quanto à outra dificuldade em que um dia esbarraram, essa já foi remediada. As importações eram limitadas, o que encarecia os pratos, e o interesse era mesmo restrito. Laurent, logo que chegou, ficou horrorizado com os produtos que encontrava na cozinha. Quando percebeu que ia ficar, decidiu investir. Foi à feira ele mesmo comprar seu próprio peixe, garantindo qualidade e frescura às suas receitas. Quebrou paradigmas e mudou a maneira dos empresários enxergarem a gastronomia. Hoje não falta nada.
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| Marc Le Cornec
Rennes, 1953
Salvador , 1985 |
OLHAR ESTRANGEIRO
A miscigenação do povo brasileiro encantou os franceses. Não só a mistura de raças e sentimentos, mas também a cozinha, de heranças ancestrais portuguesa, africana e indígena e peculiaridades regionais. Juntaram-se então a ela a técnica e precisão francesas!
Nesse caldeirão, entram com destaque os sabores brasileiros, de frutas, legumes e temperos mil. Mas só depois de receber um tratamento "vip" para fazer-nos enxergar o que sempre esteve à nossa frente. Foram eles que inseriram nossas preciosidades mais populares no menu de restaurantes de alta classe, provando que ainda temos muito a aprender. Como diria Laurent, "Nosso trabalho agitou o coqueiro".
Superadas as dificuldades iniciais e alcançado o sucesso que tiveram no Brasil - com projeção internacional -, eles têm muito a dizer sobre nós. Uns veem no brasileiro determinação e facilidade de adaptação; outros enxergam indolência e falta de ambição. As críticas à violência e à educação são muitas, mas alguns outros pontos também são unânimes. Entre eles, o humor do brasileiro, que cativa, espalha alegria e rouba a cena.
Esse espírito livre e heterogêneo dos nativos foi decisivo para cada um deles. Emmanuel teve de se abrir e aprender a abraçar, mas se dedicou: "Meus amigos dizem que eu nasci no país errado". Mas antes dos 50 anos, ele quer um novo desafio, pois sua jornada ainda não terminou: "Foi por isso que escolhi ser cozinheiro, para viajar e conhecer o mundo". O chef Laurent, que está no Brasil há mais tempo do que viveu na França, já se envolveu com o País. Considera-se um "cidadão do mundo", mas faz coro com o presidente Lula: "O Brasil é um dos melhores países do mundo para se viver". Mesmo sem um camembert à mão...
Para Fabrice, que já trabalhou para o então rei do Marrocos, Hassan II, não existe medida: "O Brasil é o Corcovado de braços abertos". E lança mão do estilo ultraliberal brasileiro "aqui você se sente vivo". E em casa: na cozinha da confeitaria, a Torre Eiffel divide espaço com São Jorge. Marc, que é o famoso tetê-dur bretão - os franceses mais sisudos, e literalmente cabeças- duras, segundo eles mesmos -, acha o brasileiro muito emocional, mas admite que eles conseguem fazer qualquer estrangeiro sentir-se como um e vê no País o futuro: "A Europa já não tem mais o que oferecer; aqui temos espaço para criar".
AGRADECIMENTO Hotel Unique
SERVIÇO
Emmanuel Bassoleil - Skye - Hotel Unique Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 4.700 - Jardim Paulista - São Paulo (SP)
Fabrice Le Nud - Pâtisserie Douce France Alameda Jaú, 554 - Cerqueira César - São Paulo (SP)
Laurent Suaudeau - Espaço Cultural Laurent Rua Groenlândia, 372 - Jardim América - São Paulo (SP)
Marc Le Cornec - Les Épices - Sofitel Jequitimar Avenida Marjory da Silva Prado, 1.100 - Praia de Pernambuco - Guarujá (SP)
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