Apesar dos obstáculos, algumas cafeterias já estão incluindo cafés de origem estrangeira para proporcionar aos clientes a oportunidade de conhecer novos paladares
TEXTO Ana Paula Kuntz IMAGEM DW Ribatski
Saber se a grama do vizinho é mais verde que a sua é sempre uma questão intrigante. Não por cobiça ou por inveja, mas simplesmente pela curiosidade. Para os brasileiros, que podem se orgulhar de ter em seu país alguns dos mais celebrados cafés do mundo, esse tira-teima em relação aos produtos estrangeiros não se restringe em taxar qual é melhor. É, na verdade, um jeito de ampliar o repertório gastronômico. Para as cafeterias, essa predisposição dos consumidores em descobrir novos sabores representa uma oportunidade de incrementar seus negócios que, superando algumas dificuldades - como a proibição da importação do grão verde -, pode definir sua posição no mercado e criar novos vínculos com os clientes.
É o caso da Cespresso, em São Paulo, que sempre se posicionou como uma cafeteria que busca agraciar a clientela com cafés não convencionais. "Desde a inauguração tínhamos como objetivo apresentar o café no seu sentido mais amplo, colocando a maior variedade possível no cardápio", diz Caio Ferrari, barista e proprietário da Cespresso. Ali podem ser encontrados, por exemplo, cafés originários do Iêmen (no sul da Península Arábica), da Costa Rica, Guatemala, Bolívia, Jamaica e Etiópia. Como um garimpeiro que procura pedras preciosas com toda a minúcia que a tarefa requer, Caio escolhe as marcas que vão para sua cafeteira durante as viagens que faz pelo mundo. Ele conta que a Cespresso foi a primeira do Brasil a oferecer o exótico Kopi Luwak, que vem da Indonésia e é conhecido por ser colhido para o consumo humano depois de passar pelo sistema digestivo de um animal marsupial. Para o consumidor curioso, nem isso nem o alto valor - uma xícara custa 17 reais - são empecilhos para seu espírito desbravador. Hoje, os que mais fazem sucesso são os da Etiópia: Yergacheffe, Sidamo e Harrar. "Eles são do tipo 'ame-os ou deixe-os', pois são complexos, com sabor cítrico de alta acidez, que remete à casca da laranja e também ao mel", diz. "Mas quem gosta de experimentar coisas novas se diverte."
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