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Como o blend é composto de várias partes, atingir um padrão de identidade substituindo uma ou outra é relativamente fácil. Mas para isso é preciso ter mais opções, conforme explica Ensei: "Quanto melhor o café e mais excepcional, menor será sua produção - são características inversamente proporcionais. Assim, para manter qualidade e quantidade é preciso um número maior de fornecedores".
Na ideologia da Illy, por exemplo, está arraigado o valor dos chamados 4 Ms: mistura, moagem, máquina e mão do barista. A empresa preza pela qualidade do café resultante de uma boa mistura ou micela, no original em italiano. Seu blend, internacional, é composto de grãos de 13 países, inclusive - e principalmente - do Brasil. É com esta fórmula que a empresa vende 6 milhões de xícaras de café por dia no mundo e se mantém no topo de referência em qualidade.

A também italiana Lavazza, que vendeu, em 2008, 2 bilhões de cápsulas de café, tem em seu principal blend, o Aroma Club, grãos 100% arábica do Brasil e do Sudeste Asiático. Já a Nespresso, que trabalha com sabores para mais de um paladar, traz diversidade em cada um dos 12 Grand Crus da marca e até nas edições limitadas. É o caso do Jinogalpa (Special Club 2008). Os grãos, 100% arábica, foram colhidos em duas regiões da Nicarágua, nas montanhas de Matagalpa e Jinotega. As principais variedades que o compõem são maragojipe, maracaturra e catimor; e a bebida ainda resulta de um split roasting, ou seja, duas amostras do blend receberam pontos de torra diferentes, de forma que cada uma explorasse determinadas características dos grãos.
De outro lado, para Marco Kerkmeester, proprietário da rede de cafeterias Santo Grão, não é a possibilidade de manter constância na identidade do produto que o faz trabalhar com blends. "Eu não quero manter um padrão, quero sempre buscar o melhor café. Eu tenho um sonho do café que quero beber..." Então é a possibilidade de criar uma bebida utópica que o leva à alquimia. O blend da casa está em constante transformação: "O Santo Grão é a melhor solução atual em busca do nosso sonho. Ele tem um aroma de flores e frutas; a acidez é notável, refrescante. Ele é cremoso, 'gordo' - deve encher minha boca inteira; é doce e tem um retrogosto levemente presente". Para atender a este desejo, o classificador e provador da cafeteria, Fábio Ruellas, mistura para o blend cafés principalmente das regiões Mogiana Paulista, Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Montanhas do Espírito Santo.
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