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Aprendendo e ensinando a arte de produzir café

Uma jovem e já premiada fazenda no Cerrado Mineiro mostra como é possível viver na prática um modelo de sustentabilidade e de produção de bons grãos

TEXTO Mariana Proença IMAGEM Ivan Padovani

Antes de a palavra sustentabilidade adquirir a importância que tem hoje em todo o mundo, uma propriedade brasileira de café, há vinte anos, já trilhava seu rumo nessa direção. Preocupado com a preservação do meio ambiente, o empresário Luís Norberto Pascoal decidiu ampliar os braços do grupo DPaschoal e focar em atividades agrícolas. Na época, optou por comprar uma fazenda na região do Cerrado Mineiro abandonada por antigos proprietários mas que ainda produzia café.

A fazenda foi batizada de Daterra Atividades Rurais e o processo de reconstrução do ecossistema começou a ser realizado de forma gradual. Duas décadas depois, visitar a propriedade de 6.800 hectares é uma aula de preservação e cuidado com a flora e a fauna. Localizada em Patrocínio, cidade situada no Triângulo Mineiro, a 154 quilômetros de Uberlândia, a fazenda produz uma média de 65 mil sacas de café por ano em uma área de plantio de 2.800 hectares. Os outros 4 mil hectares são de preservação, o que soma 70% da fazenda, incluindo três grandes cachoeiras.

A consciência e o cuidado com o meio ambiente são o ponto mais presente durante todo o caminhar pela propriedade. Não faltam avisos para evitar o desperdício e manter o hábitat em equilíbrio e tambores de reciclagem espalhados por toda a área. Fomos recebidos pela proprietária Isabela Pascoal Becker. Ela carrega um enorme orgulho pelo árduo trabalho ali realizado, que resultou em diversas premiações, dentre elas a de Sustentabilidade, entregue no início do ano pela torrefadora italiana illy.

O foco principal da Daterra é a exportação do café verde, in natura, para clientes internacionais como Canadá, Austrália, Japão, Itália e Estados Unidos, que na sua maioria são torrefadores que usam os grãos para a venda como cafés de origem única ou na produção de blends. Para atender este público exigente, a empresa conta com uma carta detalhada do produto com 18 tipos de cafés em que descreve as variedades da espécie arábica, as sugestões de nível de torra (clara, média, escura) e de uso do grão para espresso, filtro, french press ou para blends que resultam em uma bebida com mais acidez, crema ou doçura. "Vendemos o café assim como fazem os produtores de vinho, mostrando as variedades do produto e levando sempre em conta o paladar que atende o cliente e o país comprador", explica Isabela.

QUASE UM DNA DO GRÃO
Antes de a colheita ter início, a fazenda já tem catalogadas todas as características de cada talhão plantado: a prova pré-colheita. Os cafés que estão maturando são logo levados para um laboratório de pesquisa da própria fazenda e passam por uma classificação. O trabalho minucioso fica a cargo do provador Carlos Borges, que está há onze anos na Daterra. A maior parte dos cafés da fazenda é do tipo cereja descascado. No ano passado esse processamento chegou a 70% dos cafés, um beneficiamento que retira a casca e a polpa do fruto e dá ao café mais corpo e qualidade para blends.

Frutos da variedade bourbon amarelo; um dos terreiros para secagem do café e o galpão de beneficiamento ao fundo; máquina para a separação dos grãos verdes por tamanho; mesa que auxilia na identificação de defeitos; o classificador Carlos Borges rodeado de caixas pentabox no armazém da fazenda.

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Edição 28 Junho / Julho / Agosto 2010
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