
Fazer do Brasil o país dos cafés sustentáveis. Pode parecer pretensão, mas é com essa disposição que eu e meus companheiros do Conselho Gestor da Abic assumimos a direção da entidade, e é nesse sentido que vamos focar nosso trabalho durante o período de nossa gestão, de 2008 a 2011.
Muito mais que estratégia de marketing e vendas, a sustentabilidade é uma necessidade do mundo, é a garantia para as gerações futuras. E não se trata apenas da sustentabilidade ambiental, referente à preservação do meio e dos recursos naturais, mas também social, abrangendo colaboradores e toda a comunidade, e econômica, que gere renda e emprego. A soma de uma atividade sustentável resulta em qualidade de vida das pessoas e do planeta.
O agronegócio café, que compreende os segmentos produção, comércio e indústria, é uma atividade cada vez mais sustentável de ponta a ponta. Nossos cafeicultores, até pela rigidez das próprias leis ambientais e trabalhistas, cumprem grande parte, e em muitos casos a totalidade, dos requisitos exigidos pelas certificadoras. Não é por menos que o Código Comum da Comunidade Cafeeira (4C), associação internacional criada há um ano - contabilizava em maio 4,1 milhões de sacas de café verde (in natura) em condições de comercialização. Do total, 2,5 milhões de sacas são de cafés do Brasil.
As boas práticas de fabricação, os cuidados com o ambiente industrial e a própria capacitação técnica dos colaboradores fazem das indústrias aliadas importantes para que a sustentabilidade avance por todo o agronegócio até chegar ao consumidor final. E este consumidor também começa a ser mais consciente em adquirir produtos de qualidade, que não agrediram o meio ambiente e foram socialmente responsáveis em toda a sua linha de fabricação.
O Programa Cafés Sustentáveis do Brasil (PCS) foi criado pela Abic e lançado no ano passado justamente para colocar nosso setor dentro dessa nova realidade de mercado. Tendo como base as regras do nosso Programa de Qualidade do Café (PQC), o selo PCS é concedido apenas às marcas produzidas com cafés de fazendas certificadas (UTZ Certified, Rainforest, 4C, Caccer, BSCA, entre outras). Todo o processo de industrialização também é verificado e, em avaliações sensoriais realizadas em laboratórios credenciados, é autorizado o uso do selo para as categorias Superior e Gourmet.
Já contamos com um bom número de adesões, mas temos que expandir. Melhor exemplo disso está no próprio governo do presidente Lula, que anunciou, para breve, o lançamento de um Plano de Ação para a Produção e o Consumo Sustentável. Esse decreto passará a regulamentar as compras da administração pública, autarquias, fundações e empresas estatais, com base em critérios de menor impacto ambiental e geração de resíduos. Esse é mais um incentivo ao PCS e à produção de cafés certificados. Como diz o slogan que marca as ações da Abic neste ano, "Cafés Sustentáveis, Consumidor Consciente".
*ALMIR JOSÉ DA SILVA FILHO é presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic)