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Registro: o chá plantado no Brasil

À primeira vista, o mar de pequenos arbustos enfileirados poderia lembrar um enorme e belo jardim ornamental. Aos poucos, no entanto, os trabalhadores ao longe nos remetem à atmosfera da fazenda, uma das últimas grandes plantações dessa erva no país

TEXTO Veronica Deviá IMAGEM Roberto Seba

Seguindo a delicada geografia das colinas da região em volta da cidade de Registro - situada no sul do Estado de São Paulo e a quase 200 quilômetros da capital -, cerca de dez trabalhadores recolhem nas primeiras horas da manhã as folhas de uma das bebidas mais antigas do mundo. São os brotos da árvore Camellia sinensis, popularmente conhecida como a original planta de chá. Cada dois homens guiam uma máquina entre os corredores milimetricamente planejados entre um arbusto e outro, retirando, por um mecanismo que lembra uma máquina tosadora, as folhas na superfície das plantas.

Trata-se da maior fazenda particular de chá que ainda persiste na região, pólo da colônia da imigração japonesa, que deu início às primeiras plantações da árvore ainda no começo do século XX. Quem está à frente de todo o processo de produção é Kazuki Nishiashitani, nissei que continua no ramo iniciado por seu pai, originário da região de Kagoshima, ao sul do Japão.

"As primeiras sementes chegaram ao Brasil escondidas dentro de pães junto com os primeiros imigrantes, no começo do século XX", conta Kazuki. Há cerca de 50 anos, durante o auge do chá da região do Vale do Ribeira, chegaram a existir por volta de 40 fábricas, abastecidas por incontáveis produtores. Atualmente restam apenas duas, numa perspectiva de mercado que também não promete muito.

QUASE BONSAIS
Não obstante, a fazenda não pára. A colheita no Brasil ocorre o ano todo, exceto nos meses de junho e julho, sendo os picos de produção nos meses mais quentes e úmidos: de novembro a fevereiro. Tratase de um ciclo constante que ocorre a cada duas semanas.

Como as folhas utilizadas para a produção do chá são as mais novas, recém-brotadas, que aparecem na parte superior do arbusto, o processo exige poda constante: "As árvores de chá acabam se transformando quase em bonsais", compara Kazuki.


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Edição 28 Junho / Julho / Agosto 2010
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