
A região ao sul de Minas Gerais é conhecida não só pelas belezas naturais, mas também pela ampla produção de café, que teve início na década de 1850 e deu origem a diversas cidades, como Três Pontas, Guaxupé, São Sebastião do Paraíso, Varginha, São Tomás de Aquino, Itamogi, Alpinópolis e Santa Rita do Sapucaí. "Atualmente o café representa a principal atividade da região e corresponde a 70% da renda das propriedades rurais lá existentes", diz Léo Bartolozi, que presta assessoria para a Cooparaíso (Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso).
É exatamente neste rico distrito, nas redondezas de Alfenas, que se encontra a Fazenda Monte Alegre, ocupando uma área de mais de 18 mil hectares. A propriedade mantém até 20% da mata nativa e disponibiliza uma grande área para pastagem de gado de corte, plantações de cana-de-açúcar e cerca de 7,5 milhões de pés de café. Entre eles, árvores de outras espécies, como palmeiras, abacateiros e grevilhas, lhes fazem sombra e os protegem do vento. Além disso, ajudam a ornamentar a região com a fauna local, atraindo tucanos, por exemplo, vistos freqüentemente nas plantações.
Em sua primeira geração de proprietários, ainda no começo do século XX, a fazenda tinha apenas cana-de-açúcar. É desta época a notável Casa da Fazenda, construída em 1917 por Jorge Vieira, fundador da Monte Alegre. Em estilo colonial, as grandes janelas azuis e sacadas sobressaem-se no conjunto branco da fachada. E as palmeiras que circundam a casa são uma espécie de moldura da propriedade.
Foi só com a geração seguinte, porém, formada por dois irmãos, que teve início a plantação de café que perdura até hoje. Vestígios dessa época são localizados facilmente: a antiga casinha da tulha continua lá, assim como um velho automóvel Ford e os revestimentos em azulejos portugueses. Atualmente é Corina de Almeida Leite, já da terceira geração, quem preside a fazenda, aliada à mais moderna tecnologia no que diz respeito ao café. São 11 unidades de produção, inclusive Taquarinha, onde se encontram a sede comercial e três centros de preparo e beneficiamento.
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Terreiro de secagem de grãos de origem controlada. |
Em um passeio pela fazenda encontramos a grande sede e conhecemos os processos de beneficiamento do café. |
CUIDADO E QUALIDADE
Do alto das colinas, observa-se que a grande área verde é interrompida apenas pelo extenso terreiro para a secagem dos grãos, que contrasta com a cor laranja acobreada. Aqui e ali, sob o sol forte, trabalhadores munidos de rastelos e protegidos por grandes chapéus: são numerosos e chegam a 2 mil no período da safra, pois devido à particular inclinação do terreno, o uso de máquinas é quase impossível. Na primeira fase da colheita, portanto, os únicos instrumentos usados são derriças de pano. Em seguida é feita a abanação, processo que separa grãos e folhas; depois, a secagem em terreiro de cimento ou suspenso em rede. Por fim, os grãos passam pelo beneficiamento, onde um leitor óptico os separa por tamanho, peso, densidade e cor.
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| Área externa da sede. |
Os cafés produzidos na Monte Alegre possuem os selos BSCA e Utz Certified, com a produção de seis tipos diferentes de cafés verdes: Natural, Fully Washed (despolpado), Pulped Natural (despolpado), Peaberry (mistura de diversos cafés), Bourbon (feito com a variedade mais nobre do café e disponível em preparação despolpado, descascado e natural) e Espresso Blend (combinação de cafés natural, despolpado e descascado).
A Monte Alegre exporta para mais de vinte países, além de receber cerca de cem visitantes ao ano, a maioria japoneses. Eles têm especial preferência pelos cafés naturais e Bourbon, enquanto o café despolpado é o preferido dos Estados Unidos.
ECOLOGIA E RESPONSABILIDADE SOCIAL
O reconhecimento da Monte Alegre no mercado se deu também devido à grande preocupação social. Além da preservação ambiental, o pólo é auto-sustentável, exigência fundamental em tempos de cuidados com o meio ambiente. São milhares de árvores nativas de diversas espécies da região fazendo contraponto aos pés de café.
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| Ford antigo da fazenda. |
Tulha desativada. |
Além dos desígnios ambientais, a fazenda mantém vários projetos de responsabilidade social em andamento que beneficiam seus trabalhadores. Uma horta comunitária é mantida pelos funcionários, que, além de pensar nos cuidados das hortaliças e legumes, às quartas-feiras distribuem verduras para os moradores da fazenda e da região.
Para os adultos da comunidade e funcionários da fazenda são ministradas aulas de corte e costura e alfabetização. Já as crianças contam com reforço escolar e inglês, além de biblioteca com gibis e livros infantis, área recreativa e centro de computação. Os professores responsáveis pelas aulas e outros projetos são todos voluntários e, juntamente com as crianças, os trabalhadores da fazenda e os moradores, recebem atendimento psicológico. Além de facilitar a convivência e proporcionar melhor qualidade à vida dos que freqüentam a Monte Alegre, a fazenda está sempre repleta de olhares sorridentes que mostram a satisfação de quem enxerga no café não só um meio de trabalho, mas também uma fonte de bem-estar social e preocupação com o futuro.

SAIBA MAIS
www.montealegrecoffees.com