
Com apenas 28 anos, o inglês James Hoffmann já acumula muitas responsabilidades. Ao vencer o Campeonato Mundial de Barista, realizado em Tóquio em agosto de 2007, tornou-se um verdadeiro embaixador do café. Viaja o mundo em busca de novos grãos, dá aulas, troca idéias com baristas, orienta novos profissionais e desenvolve um site (www.jimseven.com) completo e interessante sobre o tema, que é lido diariamente por internautas de todo o mundo.
Com simplicidade e simpatia, conquistou fãs que acompanham seu trabalho e o consideram referência como barista sério e inovador. Atencioso, apesar da agenda bastante disputada ele respondeu por e-mail a esta entrevista exclusiva à Espresso.
Como começou sua paixão por café?
Eu trabalhei em uma pequena e estranha cafeteria de um fabricante de máquinas de espresso, onde o café era gratuito, pois o objetivo ali era vender as máquinas. Mas eu não tomava café porque não suportava o sabor. Até então, só havia provado café solúvel, que é horrível. No entanto, quanto mais eu trabalhava mais o interesse foi surgindo, e em certo momento fiquei muito obcecado em aprender tudo o que eu pudesse sobre os grãos. Ali pude desenvolver meu conhecimento e técnicas de preparo.
Sobre o campeonato mundial, como você se preparou para a competição?
Há duas fases de preparo: escolher e desenvolver o café que você servirá e praticar a rotina completa. Empreendi bastante tempo trabalhando com um torrefador para desenvolver o café, provando muito e fazendo testes. Os treinos geralmente ocorriam após o trabalho até tarde da noite. Um tanto estressante e demorado.
Que tipo de blend você usou na sua apresentação?
Eu decidi não servir um blend em Tóquio, para tentar superar as expectativas. Eu usei um single estate coffee (café de origem única) da Costa Rica para o meu espresso; um single estate do Quênia para o meu cappuccino; e espressos dos dois para o meu drinque de assinatura - que misturava um creme com infusão de tabaco, chocolate derretido e espuma de biscoito de avelãs, amêndoas, alecrim, além de xarope e um pouco de gelatina.
Essa conquista mudou sua vida? Por quê?
Completamente! Ela me trouxe oportunidades maravilhosas de viajar e aprender mais e mais sobre café, além de conhecer pessoas interessantes de todo o mundo e trocar informações e idéias.
Quais são seus planos para o futuro?
Pretendo abrir uma torrefadora de café em Londres e gostaria de ter uma cafeteria antes do fim do ano.
O que você considera um café especial?
Esta é realmente uma questão difícil de responder. É muito complicado definir o café especial, pois uma xícara depende de duas coisas diferentes: a qualidade do ingrediente cru (o café) e o método de preparo. Uma boa xícara requer ambos e, se um desses elementos é esquecido, então não pode se tornar uma boa xícara. Isso signifi- ca que você pode comprar ótimos grãos de café (especiais, de alta qualidade, sem defeitos, plantados e colhidos cuidadosamente e de boas variedades) e facilmente ter um café horrível, se for mal preparado. Para mim, um café especial resulta em um copo límpido, delicioso e cheio de características.
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