

Conta-se que a primeira loja de conveniência surgiu na década de 1920 nos Estados Unidos, em Dallas, Texas, graças à sagacidade de um empreendedor que resolveu deixar seu estabelecimento aberto por algumas horas a mais para que os moradores da região pudessem comprar produtos básicos depois que todo o comércio já estivesse fechado. A idéia foi o embrião da rede que ficou mundialmente conhecida como Seven-Eleven. No Brasil, a modalidade apareceu somente no final dos anos 80. Foi nessa época que a distribuidora de combustíveis Esso trouxe o conceito de loja de conveniência para os postos da rede. A primeira Stop & Shop foi aberta no Rio de Janeiro, em 1989. Alguns anos depois, em 1994, a Petrobras Distribuidora, que havia firmado uma parceria com a própria Seven-Eleven, começou a implementar o projeto BR Mania, inaugurando a primeira loja em São Paulo. Hoje, os postos Esso têm mais de 250 lojas de conveniência em funcionamento e os BR, mais de 700, em todo o País. Estimativas de mercado apontam que a conveniência contribui com até 30% das vendas dos postos.
Contudo, acompanhando a evolução dos tempos, o setor passa por uma fase de renovação. Hoje em dia, mais do que um espaço para comprar produtos de última hora, que vão de creme dental a vinhos importados, as lojas de conveniência estão se transformando em espaços de convivência. A peça-chave para essa transição chama-se food service, que inclui os serviços de padaria, lanchonete e cafeteria. De acordo com uma pesquisa da consultoria Gouvêa de Souza & MD, cerca de 73% dos clientes compram produtos para consumir imediatamente. "Os consumidores não querem que a loja seja um lugar apenas para passagem. Querem sentar-se com comodidade, folhear uma revista, bater um papo, tomar um bom café", diz Ana Paula Feijó, gerente da Fagga, empresa que realizou neste ano a Expo Postos & Conveniência, em São Paulo. Cientes deste movimento, os organizadores inovaram ao reservar uma área exclusivamenexclusivamente para expositores ligados ao setor do café. O lounge reuniu fornecedores de máquinas e produtos, que mostraram como o singelo cafezinho, com certo toque de sofisticação e requinte, pode agregar valor aos negócios dos postos de combustível.
MARCAS DE CAFÉ E MÁQUINAS
Em sua primeira participação na feira, o Café Pelé apresentou produtos como o café em grão, torrado e moído, descafeinado e gourmet, além das misturas matinais, como cappuccino e café com leite. "Oferecemos degustação dos matinais e do espresso, tipos que se adequam perfeitamente à nova proposta das lojas de conveniência", diz Márcio Pereira, gerente de Produtos da marca.
Entre os fornecedores de equipamentos estava a Master Coffee, que destacou o lançamento da Rubino 200, da Saeco. O modelo usa o café em grão e prepara oito tipos de bebida (café curto, longo, com pouco leite, pingado, cappuccino com chocolate, leite, chocolate e chá). Vistosa e elegante, nas cores ouro-velho com vermelho-cereja, a máquina aceita moeda e devolve o troco. "Assim o cliente pode se servir sozinho com um simples toque no painel. Por tudo isso, é uma ótima opção para os estabelecimentos comerciais", explica o gerente de vendas José Barrenha. Já a Libermac, participante freqüente da Expo Postos & Conveniência, apresentou a Aurelia, equipamento de ponta da Nuova Simonelli. Tendo tecnologia e ergonomia avançadas como diferencial, a máquina foi concebida para ser operada por baristas. Possui display colorido que mostra as receitas, tem alavancas em lugar de botões giratórios e conta com moinho eletrônico para a compactação do café, o que garante o padrão de qualidade. A empresa também exibiu os blenders da Blendtec, superliquidificadores usados nas redes Starbucks, Casa do Pão de Queijo e Graal, que preparam bebidas em poucos segundos. Os tipos de máquinas, contudo, são inúmeros. Para escolher o mais adequado, deve-se levar em conta a quantidade de doses servidas na loja. "O ideal é contar com uma consultoria especializada, e sempre considerar o movimento dos horários de pico", afirma Júlio Ribeiro, gerente de Marketing e Novos Negócios da Libermac. O estudo é necessário para que o investimento não seja superestimado, tampouco obsoleto. De acordo com Ribeiro, a diferença de preço entre uma máquina do tipo super-automática e outra profissional pode variar de R$ 4 mil a R$ 20 mil, em média. "Alguns modelos profissionais chegam a ter capacidade para tirar até 200 doses por hora", diz.
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