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Encontro marcado com Dan Stulbach

Uma trajetória consistente. Assim poderia ser definida a carreira desse ator brasileiro. Sem receio de navegar por diversas linguagens - tevê, rádio e, claro, teatro, a grande paixão -, ele nos contou sobre suas inspirações e os caminhos escolhidos

Texto Bianca Pinto Lima Imagem Roberto Seba

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O aspecto quase manual do teatro encanta esse artista. Algo como encontrar uma pessoa, pegar um texto e juntos fazerem uma peça, sem que para isso seja necessário captar milhões de reais. Primogênito da família, Dan Stulbach foi educado para ser engenheiro, mas seguiu o caminho das artes cênicas. Ao sentir a vocação, passou a ler e ver peças de teatro loucamente e a procurar os artistas nos camarins ao final das apresentações. Como profissional, agradalhe a idéia do artista puro: "Que se dedica laboriosamente ao que faz e foge da imagem do porra-louca, que só atua quando está inspirado".

A seriedade no trabalho o acompanha desde cedo. No cursinho, exercia a função de bedel para pagar as mensalidades. Ao decidir-se pela profissão de ator, deu aulas de teatro amador em escolas, universidades e na TV Globo, tendo sido professor durante onze anos. A motivação? "Um senso de responsabilidade muito grande de que eu precisava viver daquilo que escolhi", responde. Por trás da maturidade, um jovem visionário, que ia a passeatas e tinha todos os sonhos possíveis de mudança. Garoto tímido, como ele se define até hoje, mas muito cara-de-pau, o que o ajudou na carreira e possibilitou o encontro com grandes ídolos. Entre eles, Paulo Autran, o "grande ator brasileiro".

Foi com 17 anos que subiu pela primeira vez no palco, para uma peça no Colégio Rio Branco, na capital paulista, onde estudava. O teatro entrou na sua história de forma acanhada, meio sem querer, e acabou sendo uma enorme descoberta. O incentivo veio da possibilidade de transformação, tanto da realidade como do entendimento que as pessoas tinham a seu respeito. "O estímulo de mudança absolutamente periférica da minha vida foi o que me motivou. Depois, é claro, fui me apaixonando."

OLHAR ESTRANGEIRO SOBRE A VIDA
O Brasil não foi exatamente uma escolha para os jovens Ewa e Jozef. Poloneses de ascendência judaica, eles tiveram grande parte dos familiares mortos e perseguidos durante a Segunda Guerra Mundial. Como relata o ator, as terras tropicais foram mais uma "falta de opção" do que algo planejado por seus pais e avós. O encontro entre os dois estrangeiros aconteceu na cidade de São Paulo, onde se casaram e criaram os dois filhos: Dan e sua irmã, a nutricionista Tamara.

Da trajetória familiar, ele leva consigo o sentimento de eterno estrangeiro. "Em casa, meus pais falavam outra língua, o que nos fazia ser um pouco estrangeiros em relação à cidade e ao País. Entre a comunidade judaica, eu não era um judeu que sabia as rezas ou praticante. Quando decidi pela minha profissão, alguns atores me diziam que eu era burguês demais para ser ator e os burgueses falavam que eu era ator demais para os burgueses", revela Dan, que atribui a esse "estrangeirismo" a sua visão sobre a vida.

Para exercitar o outro olhar, ele pratica um de seus grandes prazeres: a fotografia. O acervo é composto por fotos de viagens, da família e do sobrinho ainda bebê, o primeiro da próxima geração. Quanto à prática fotográfica, ele se diz um teimoso: gosta de máquinas analógicas e filme preto-e-branco. E confessa: "Se eu não fosse ator, o que um dia talvez aconteça, seria fotógrafo tranqüilamente".

Para a cosmopolita cidade de São Paulo, Dan atribui os adjetivos "cruel e cinza, porém mais verdadeira". Mesmo assim, viver a capital paulista é um dos programas favoritos do ator, que pode ser visto com freqüência pelas ruas do bairro do Pacaembu ou tomando um espresso em cantinhos da cidade. Modismos à parte, ele gosta de freqüentar os mesmos e conhecidos lugares e, às vezes, até sentar-se à mesma mesa. Devido às manias, considera-se parecido com o excêntrico escritor interpretado por Jack Nicholson no filme Melhor é Impossível. "Não piso em linhas, sou meio assim", brinca.

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Edição 28 Junho / Julho / Agosto 2010
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