portal Espresso
 
   
Buscar
ASSINE FAVORITO CADASTRO ANUNCIE FALE CONOSCO
CADASTRO
   
  > Vantagens  
LEGENDA - Azul (Assinantes) e Verde (Cadastrados).
INDIQUE PORTAL ESPRESSO
 

Nos altos de Ribeirão claro, a Jamaica

Fomos até o norte do Paraná conhecer a propriedade de luiz Suplicy Hafers, que chega à 46ª safra ainda experimentando novas técnicas de cultivo

TEXTO Mariana Proença
IMAGEM Manoel Marques


F O T O A R Q U I VO L U I Z S U P L I C Y H A F E R S

Logo na chegada da cidade os altos e baixos do terreno de Ribeirão Claro dão a pista de que ali se produz café. Encravado em uma região montanhosa do Norte do Paraná e fazendo divisa com São Paulo, o pequeno município foi palco de importantes momentos da história do cultivo da planta. Próximo à entrada da cidade avistase a ponte Alves Lima sobre o Rio Paranapanema. Construída em 1918 com o intuito de escoar rapidamente a produção de café, tornou-se ponto turístico e patrimônio histórico.

O caminho do café era longo. Depois de passar pela ponte, chegava à Estrada de Ferro Sorocabana e, dali, seguia para o Porto de Santos, distante mais de 400 quilômetros. Na década de 1920, Ribeirão Claro chegou a ter 25 mil habitantes, contra os cerca de 8 mil atuais. Fundada em 1908, reunia povoados formados em sua maioria por italianos. Como típico município do interior, abriga uma praça, uma igreja e ainda preserva algumas ruas de pedra, casas de colonos e comércios bem regionais.

UM SÉCULO NO PARANÁ
Não muito longe do portal de Ribeirão Claro trabalhadores indicam o caminho por uma estreita estrada de terra em direção à Fazenda Jamaica. Conhecida na região, a propriedade, antes usada na engorda de porcos para a fabricação de banha, começou a produzir café no início do século XX. A casa data do final do século XIX, quando ainda não tinha água encanada nem luz elétrica. Uma pequena capela, ao fundo, denota ao local um ar bucólico.

Ao chegar à casa, somos recebidos por Luiz Suplicy Hafers, que adquiriu a fazenda em 1962. "Quando comprei, já tinha este nome. Eu suspeito de que, na época, algumas sementes devam ter vindo da Jamaica." O interesse da família de Hafers pela região começou com o avô, Luiz Suplicy, em 1908, data de fundação de Ribeirão Claro. Suplicy adquiriu a Fazenda Monte Bello - hoje pertencente a um primo de Hafers -, que na década de 1910 produzia uma média de 5 mil sacas ao ano. Atualmente, toda a grande estrutura da Monte Bello, montada com secadores, terreiro e até uma escola, não é mais usada, mas guarda as histórias do lugar.

F O T O A R Q U I VO L U I Z S U P L I C Y H A F E R STRADIÇÃO NÃO ATRAPALHA AVANÇOS
Conversar com Hafers é viajar no tempo e nas histórias do café. Aos 71 anos, o cafeicultor está na 46ª safra. A família, de geração longa, como ele gosta de lembrar ("minha avó viveu até os 108 anos"), é tradicional produtora de café. Mas apesar das antigas construções, as idéias soam novas. Na conversa surgem histórias de muitas realizações, modernas iniciativas e ainda mudanças que ele testa para melhorar a quantidade e a qualidade do café produzido na Fazenda Jamaica.

"A modernidade não pode ser atrapalhada pela tradição. Quando alguém diz 'meu avô fazia', esquece. Ele foi um colosso, mas no tempo dele. Você tem que respeitar, mas não ser prisioneiro." Para colocar em prática essa filosofia, o cafeicultor conta com funcionários antigos, como o descendente de italianos Geraldo Salvador, atual administrador da propriedade e nascido lá. Ao todo, 18 famílias vivem no local, e mais de cem funcionários trabalham no período da colheita. "O café exige muita mão-de-obra, algo em torno de 40% a 50% dos gastos de uma propriedade média, como a minha", explica Hafers.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
SEÇÕES
 
Edição 28 Junho / Julho / Agosto 2010
ASSINE AGORA

PUBLICIDADE
 
 
 
         
FALE CONOSCO ASSINE EDIÇÕES ANTERIORES ANUNCIE EXPEDIENTE CADASTRO
CAFÉ EDITORA
powered by ContentStuff.com Copyright - Café Editora Ltda. - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.