Com a aliança entre pesquisadores, produtores e cooperativas, o Paraná sempre superou suas dificuldades e surpreendeu pela qualidade do café produzido. A cultura cafeeira local foi implantada em 1930, e já na década de 1960 o Estado produzia cerca de 24 milhões de sacas, tornando-se o maior produtor mundial. Dez anos depois, a soja começou a ganhar espaço. Com o novo produto, a colheita passou a ser mecanizada e fez com que a mãode- obra diminuísse, o que também geraria menos gastos ao produtor. A redução do plantio de café teria sido gradativa se uma forte geada, em 1975, não tivesse dizimado completamente a produção do Estado.
Demorou muitos anos para que o café voltasse a ser produzido em grande escala, ressurgindo com força somente no início dos anos 1990. Logo após a retomada, o Paraná, mais uma vez, cresceu muito em pouco tempo. Em relação a 2005, o crescimento foi de 56% por conta da bianualidade e do forte investimento em produtividade. No ano passado, Bahia e Paraná produziram 2,2 milhões de sacas cada um. A diferença entre os dois foi de 3 mil sacas, o que deu o quarto lugar, em produção, para a Bahia e o quinto para o Paraná.
O plantio está concentrado nas regiões Norte, Norte Pioneiro e Noroeste em razão do clima mais ameno e dos solos férteis. As geadas, no entanto, ainda são uma das maiores preocupações e um fator limitante ao cultivo dos grãos. Pensando nisso, produtores criaram o sistema de adensamento, que obteve grande divulgação e adesão a partir de 1992. O casamento entre esse sistema e a variedade iapar 59, criada pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), contribuíram para o fortalecimento da cultura cafeeira.

O sistema adensado consiste em uma aproximação das plantas no cafezal. Além de gerar uma maior produtividade, a técnica recupera rapidamente o solo após uma geada. "Com isso, o produtor pode ter um plantio lucrativo um ano após a geada.
Usando o método tradicional, só voltará a ter lucro após três ou quatro anos", explica o pesquisador do Iapar Armando Androcioli Filho, um dos responsáveis pelos primeiros estudos sobre o sistema e um dos criadores da iapar 59.
A implantação da técnica adensada em todo o Estado começou após uma coincidência entre pesquisadores e produtores. Luiz Suplicy Hafers, proprietário da Fazenda Jamaica, em Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro, já utilizava esse sistema desde 1964. O produtor teve que suspender o uso da técnica, na década de 1970, quando seu cafezal foi afetado pela ferrugem. Mas em 1984 Hafers reimplantou-a e logo obteve êxito. O cafeicultor se recorda de que muitos diziam que aquilo não daria certo.
Paralelamente a Hafers, Armando Androcioli e sua equipe do Iapar já trabalhavam num estudo que consistia em aproximar as plantas, e, em tese, essa novidade poderia ser muito positiva para o Paraná, que sempre sofria com as geadas. "A equipe do Iapar comprovou academicamente o que eu já fazia na prática. Depois disso, era preciso intensificar a divulgação", recorda- se Hafers, também presidente da Associação dos Cafeicultores do Paraná.
Para que o adensamento se popularizasse por todo o Estado um novo personagem surgiu: Adenir Fernandes Volpato, gerente comercial da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá (Cocamar). Também conhecido como "Gabarito", Adenir divulgou o método para os atendidos pela Cocamar. "Deu tão certo que todos querem ser o pai do adensamento, mas nossa função foi fazer uma forte divulgação por todo o Estado", afirma. Hoje o método é usado por 90% dos produtores em todo o Paraná.
A variedade iapar 59 trabalha em conjunto porque tem porte baixo. Esse sistema beneficia os pequenos produtores, que já não precisam de muitos hectares para se manter na cultura cafeeira. Ainda contribui para o aumento da qualidade do café, pois exige que a colheita seja feita sobre o pano. Por falta de espaço para despejar os grãos, uma lona é estendida sobre a terra. Com isso, a qualidade do café aumenta, porque o grão não entra em contato direto com as impurezas do solo.
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