A conversa começa bem-humorada em seu escritório. Cláudia convida nossa fotógrafa para ver uma mesa com várias máquinas arrecadadas para o curso de fotografia promovido em escolas públicas pela Fundação Victor Civita (FVC). Conhecidas as câmeras, a entrevista se inicia. Sorridente e cheia de histórias, fala com orgulho de sua grande família, de livros (muitos livros) e de suas realizações. Foi no cargo de secretária estadual da Cultura de São Paulo, entre 2002 e 2005, que pôde aplicar, mais intensamente, grande parte de seus conhecimentos nos projetos Guri e São Paulo: Estado de Leitores, ligados à educação, sua grande paixão.
Há mais de um ano na FVC, voltada para a melhoria da educação em escolas públicas, Cláudia trabalha da maneira que acredita ser mais eficaz, dando continuidade a trabalhos idealizados por antecessores. Mesmo depois de ter colocado em prática e otimizado muitos projetos, a administradora ainda acredita que o ato de realizar é um grande desafio de vida.
ANTES DA EDUCAÇÃO, O PRAZER DA LEITURA
A paixão pelos livros guiou-a desde muito cedo e serviu de base para que traçasse seus objetivos. Cláudia encontrou na leitura um aliado, tanto para viajar para mundos distantes como para entender mais sobre educação. O gosto por livros foi muito incentivado, especialmente pela mãe. Recorda os tempos em que Lidia Costin lia para os filhos antes que dormissem. "No melhor momento do livro, ela parava e dizia que a história recomeçaria só no dia seguinte e a partir daquele ponto."
As duas crianças, afoitas para saber o desfecho do capítulo, pegavam o livro escondido e matavam a curiosidade. Para Cláudia, aquilo era uma boa tática usada pela mãe para que amassem a leitura. Deu tão certo que Cláudia fez o mesmo com seus filhos e segue também uma linha semelhante com projetos ligados à melhoria da educação no País.
Acredita que a leitura deva ser - antes de uma ferramenta para a inclusão social e diminuição da violência - um momento prazeroso. Pensando nisso, criou o programa São Paulo: Estado de Leitores enquanto atuava no órgão público dedicado à Cultura. O objetivo era fazer com que todos os municípios tivessem pelo menos uma biblioteca e que as já existentes ganhassem mais livros.
Simultaneamente fez campanhas em prol da leitura em todo o Estado. "Uma das mais eficazes foi perguntar, na saída da biblioteca, qual livro a pessoa gostaria de ver ali. Depois dessa medida, recebemos enxurradas de pedidos", orgulha-se. A equipe alcançou o objetivo. Todos os municípios de São Paulo têm pelo menos uma biblioteca e o projeto continua crescendo, mesmo depois que Cláudia deixou a Secretaria.
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