CONFIANÇA COMEÇA A NASCER 
Minha preparação para participar do 7º World Barista Championship começou quando decidi que seria campeão nacional, em setembro de 2005. O planejamento veio desde aquela época, pois sabia que jamais chegaria à Suíça sem o título nacional. Eu poderia não ganhar o campeonato, mas minha confiança começou a nascer a partir daquele mês.
Após a consumação do fato, comecei de imediato a pensar em qual café levaria para Berna, na Suíça, e em qual máquina faria um treinamento de alguns meses para não chegar tão cru no mundial. Telefonemas para lá e para cá e alguns meses depois estava tudo praticamente resolvido: já tinha os dois cafés escolhidos para trabalhar e tinha patrocínio para a máquina da competição. Faltavam apenas a hospedagem e as passagens, coisa pouca, acredito.
MEIO TEMPO 
Minha maior apreensão era a data de entrega das passagens: apenas uma semana antes da viagem recebi a confirmação pela internet! Mas não fui só eu que quase ficou sem passagem. Outros da "comitiva" brasileira também tiveram seus percalços para chegar a Berna. Mas, enfim, eu tinha todo o aparato necessário para fazer, no mínimo, a minha apresentação.
Neste meio tempo, o treinamento ficou focado na adaptação à La Marzocco (máquina de espresso do campeonato mundial) e na confecção do melhor blend para o espresso. Como a quantidade disponibilizada era pequena, não haveria café suficiente para treinar durante meses. Foquei, então, em melhorar a parte técnica. A partir daí, comecei a treinar duas horas por dia na cafeteria, atento sempre aos movimentos e à forma como me apresentaria.
PRIMEIRO AVIÃO, PRIMEIRO CAMPEONATO 
Eu jamais havia pisado em um avião antes de partir de São Paulo, e essa foi uma sensação ímpar, que esperava, ou melhor, aguardava, há algum tempo. Na partida me veio à mente a mesma imagem do homem que vira o mar pela primeira vez. Eu encontrei o céu! O que dizer de conhecer outro país? A Europa para mim era uma imagem dos livros de faculdade. Apenas teoria. Foi o melhor choque cultural que tive na vida, pois, para quem vive há 28 anos no Brasil, desembarcar em Zurique com destino a Berna é, no mínimo, embasbacante.
Talvez esta seja a melhor palavra para definir a minha chegada à Suíça. Levei dois dias para me acertar no lugar. Pode parecer uma frescura, ou até mesmo uma besteira minha, mas não foi simples entender (ou foi simples demais) que o ticket do trem é comprado fora do trem e que dentro não existem fiscais para recolhê-lo! Qual foi a última vez que você pisou em um asfalto e o carro, com o sinal aberto, parou para você atravessar, como se aquilo fosse um ato mecânico de pura cortesia, sem troca de favores ou berros, buzinas, xingamentos e troca de elogios? É chocante, mas é bom.
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