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Cultura
O Teatro Mágico, a trupe que ensina a brincar de pensar

Grupo paulista independente realiza espetáculo que mistura teatro, música e poesia. um autêntico circo contemporâneo que vem conquistando o grande público

TEXTO Mariana Proença

Daniel Arantes

A fila dá voltas nos quarteirões. Uma energia diferente nasce já com o público que aguarda ansioso a entrada para o espetáculo. Brincadeiras, sorrisos, expectativa, espera. Muitos estão ali pela primeira vez. No boca-a-boca, O Teatro Mágico vem conquistando público fiel, cativando admiradores pelo Brasil. Recém-chegada ao meio cultural, a trupe impressiona ao unir atores, cantores, malabaristas, poetas, palhaços, bailarinas e bonecas de pano em um mesmo palco. Resgata manifestações culturais brasileiras e cria novas com a contribuição direta da platéia.

Daniel ArantesO idealizador do projeto, Fernando Anitelli, 32 anos, vocalista e violonista do grupo, apresenta com orgulho toda a equipe. O espetáculo traz músicas de autoria dele e também parcerias que ganham arranjos de violões, violino, guitarra, baixo, percussão, flauta, gaita, xilofone, bateria, teclado, saxofone. E ainda DJs que dão um toque especial com sons que complementam o diálogo da trupe com o público. Um verdadeiro circo formado por integrantes-palhaços, vestindo roupas coloridas que compõem um ambiente lúdico teatral e musical.

Para entender um pouco essa história é necessário voltar alguns anos, quando Fernando começava a compor e "brincar com arranjos e melodias". Nascido em Osasco, região metropolitana de São Paulo, o menino participava de saraus e fazia parte da antiga banda Madalena 19. Das experiências com artistas de rua, festivais, teatro, o músico captou a sensibilidade para criar as canções do seu primeiro CD.

Sem dinheiro, mas com muitas idéias na cabeça, começou a vislumbrar um projeto musical diferente ao ler o livro O Lobo da Estepe, do escritor alemão Hermann Hesse. Escrito em 1927, o livro trata dos muitos "eus" que existem dentro de nós: "Ele deixa bem claro que você não é um personagem único. Identifiquei- me muito. Se somos personagens, será que estamos escrevendo o nosso próprio roteiro ou compondo umas linhas a mais?" O nome do primeiro trabalho veio também do livro. O personagem é atraído por um letreiro que diz "O Teatro Mágico - Entrada para Raros". "Decidi por esta idéia. Todo mundo é raro, só existe um de nós."

Fernando passou a estudar teatro e a aprimorar seu lado musical. Em 2003, lançou-se no trabalho-solo. Para realizar a apresentação das músicas, começou a buscar artistas. Amigos e família resolveram se envolver na montagem do espetáculo. A união de diversas expressões da cultura nacional gerou um grupo que hoje conta com 30 integrantes, metade deles no palco, outra na cuidadosa produção. As apresentações começaram tímidas, em pequenas casas de espetáculos. Hoje, eles contam com grande público, mais de mil apresentações pelo Brasil e 20 mil discos vendidos. "O Teatro Mágico sempre foi uma expressão, um compromisso com a arte", reforça o vocalista e violonista.

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Edição 28 Junho / Julho / Agosto 2010
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